Relembrando-me de momentos fortes do meu percurso como atleta, fui “desenterrar” aquela publicação que tive de fazer após chegar a casa de coração cheio após cerca de 2 anos. Como tal, partilho-vos a publicação:
“Não tenho fotos do dia de hoje por isso cá vai uma “antiga” que demonstra 10% da emoção deste dia.
Em Julho de há uns 3 anos atrás tive uma péssima performance no meu primeiro nacional e jurei a mim mesma que o próximo nacional seria diferente, mas nesse mesmo ano foi criado o tal nível 5 que me impedia de cumprir o meu objetivo. Em janeiro do ano seguinte deixei-me levar pelos nervos “do momento” e chumbei num teste pela primeira vez na minha vida, na segunda tentativa (por estupidez) também chumbei. Há um ano atrás, no meu aniversário fui a primeira a fazer prova, mas devido ao nervosismo, ansiedade e outras parvoíces voltei a chumbar. Este ano apostei numa postura menos “stressada” (entre aspas porque há sempre stress nestas situações), a minha 4º tentativa foi falhada, mas nunca me tinha sentido tão próxima do tal objetivo. A 5ª vez foi chumbar por puro azar (ou estupidez).
Passei toda a semana com os nervos à flor da pele, mas confiante, pois sabia das minhas capacidades. Passou o treino oficial e eu treinava completamente relaxada, foi o período de aquecimento e voltei a descontrair, mas concentrada, claro. chega o momento e começo a estremecer quase com uma lágrima no canto do olho. Inspiro, expiro, entro no ringue com um sorriso na cara, ponho-me na posição e a musica começa. Quando patinei senti-me realmente feliz, evitei totalmente a ideia de “pessoas a julgar-me” e foquei-me em fazer as coisas e ser feliz. A cada elemento bem feito eu esbocei um sorriso na cara e sempre que não o tinha todos que me estavam a ver e a apoiar davam-me esse sorriso. Falhei e repeti um elemento 2 vezes por uma coisa estúpida que podia logo ter sido resolvida, mas quando repeti pela ultima vez, e senti que saiu bem voltei a sorrir, ouvi a música e só me lembrei de fazer o final. enquanto encarava os juízes à espera dos cartões estava confiante, mas com tanto medo! Mas assim que levantaram os cartões o alivio foi tanto que eu gritei e enquanto voltava para os meus treinadores chorava enquanto lhes agradecia. Naquele momento todos me felicitavam e eu só conseguia sorrir e chorar, mas de alegria. pois naquele mesmo pavilhão, onde jurei uma prova melhor, cumpri o único obstáculo que me faltava para realizar esse objetivo. Posso dizer que me tornei o símbolo nacional da persistência.
Agora só tenho a agradecer a todos os que me apoiaram, tanto como no inicio como agora neste meu 6º e último nível 5, tenho de agradecer aos meus pais, aos meus treinadores, à minha maravilhosa equipa e a toda aquela bancada que acreditou em mim todos vocês fizeram-me passar este nível!
A todos os que têm o nível 5 para fazer: Não tenham medo que isto não é um bicho de 7 cabeças. Se estão inscritos no nível 5 é porque o sabem fazer. Ouçam e confiem nos vossos treinadores, não tenham medo de sorrir e descontrair em prova e acima de tudo nunca desistam”.


